Trabalhos

Astrolink · eSapiens Tecnologia S.A. · 2011–2018

Como um modelo de negócio recalibrado, um insight de onboarding e um redesign mobile-first transformaram a maior comunidade de astrologia do Brasil na sua plataforma líder.

Product Designer · Product Manager

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Plataforma desktop da Astrolink — antes do redesign
EmpresaAstrolink, a principal rede social de astrologia do Brasil, com forte tráfego orgânico e uma comunidade apaixonada mas quase nenhuma receita.
ProblemaCerca de 1.000 cadastros orgânicos por dia convertendo mal, um plano grátis que entregava a maior parte do valor, e nenhum app mobile para um público mobile-first.
Meu papelÚnico responsável por pesquisa, produto e design. Recalibrei o modelo de negócio e o onboarding, depois liderei o redesign mobile-first de ponta a ponta.
ImpactoR$2K → R$100K/mês de MRR · 4M+ downloads · Cadastros diários dobraram.

Contexto

Para uma parte dos usuários, astrologia era entretenimento. Mas o público principal usava o Astrolink para algo mais profundo: autoconhecimento. Liam todas as interpretações, abriam o app todos os dias para ver os novos posicionamentos planetários, e usavam o que aprendiam como insumo para decisões reais.

Essa distinção moldou tudo. Um produto que é entretenimento compete por atenção. Um produto que faz parte da rotina de decisão de alguém conquista um tipo diferente de lealdade, e uma disposição diferente de pagar.

A plataforma tinha um forte tráfego orgânico: cerca de 1.000 novos cadastros por dia, sem aquisição paga. O problema nunca foi trazer as pessoas até a porta. Era que muitos desistiam na porta, o produto entregava valor demais de graça, e a experiência mobile que os usuários queriam não existia.

O time era pequeno: Wladimir, founder e desenvolvedor, alguns devs, e eu com a responsabilidade de pesquisa, produto e design de ponta a ponta.

O time da eSapiens durante a fase de otimização da plataforma

Fase Um — Modelo de Negócio

O Astrolink não era gratuito, mas a conversão era baixa por uma razão simples: o plano grátis já entregava a maior parte do valor. Não sobrava jornada para vender.

Em vez de simplesmente subir o paywall, mapeamos a jornada de sucesso do usuário: o que um Aprendiz precisa em cada etapa para virar um Expert, e o que um Expert precisa para ir mais fundo. Depois reposicionamos as funcionalidades ao longo dessa jornada, movendo para o premium as que estavam ligadas à progressão.

Existia um medo real de quebrar a confiança da comunidade. Fomos gradualmente, mantivemos o preço da assinatura baixo e expandimos com novos produtos e funcionalidades ao longo do tempo. A comunidade ficou. A conversão multiplicou.

A outra alavanca era o onboarding. O mapa astral é o valor central do produto, e é impossível sem os dados de nascimento completos. Mas pedir tudo de cara nos custava uma grande fatia daqueles 1.000 cadastros diários.

Dedicamos tempo de verdade ao playbook convencional de UX primeiro: login social, busca por geolocalização para o local de nascimento, ordem mais inteligente dos campos, menos etapas. Cada iteração deixou o preenchimento mais rápido e a entrada mais fluida. E cada uma, honestamente, moveu o ponteiro menos do que esperávamos. Estávamos otimizando o formulário quando o formulário era o enquadramento errado.

A virada veio de reformular o problema: deixar os usuários finalizarem o cadastro sem os dados completos, mostrando um Mapa Preliminar, visivelmente incompleto, com um aviso claro de que o mapa completo esperava pelas informações que faltavam.

Em vez de um formulário bloqueando o valor, o próprio valor pedia os dados. Os cadastros diários cresceram de cerca de 1.000 para quase 2.000, com o mesmo tráfego orgânico. E o preenchimento completo veio junto, porque agora os usuários tinham uma razão real para voltar e finalizar.

Com o novo modelo e o novo funil, a empresa chegou ao breakeven antes de existir uma única tela do redesign.

Fase Dois — O Redesign

Com o negócio de pé sozinho, podíamos investir no produto que os usuários pediam. O redesign estruturado começou no fim de 2017: três meses de pesquisa sobrepostos a três meses de desenvolvimento. De quatro a cinco meses do kickoff ao beta fechado.

Definição da pesquisa — objetivo, perguntas e critérios de sucesso definidos antes da primeira entrevista

Entrevistamos 25+ usuários e combinamos com dados comportamentais do Hotjar, Google Analytics e BI interno.

Sessão de teste de usabilidade — observando usuários reais interagirem com a plataforma em tempo real

Dois perfis emergiram. O Aprendiz: curioso, no início da jornada, precisando de orientação e interpretação. O Expert: fluente na linguagem da astrologia, buscando profundidade, precisão e ferramentas em vez de explicações.

Mapeamento de perfis de usuário — os dois arquétipos que emergiram das sessões de pesquisa

Quatro insights guiaram o redesign:

Barreira de confiança

Astrologia carrega ceticismo. O produto precisava de sinais de credibilidade em cada passo, não de estética mística.

Atrito no onboarding

Já resolvido na Fase Um, mas o app precisava carregar a lógica do Mapa Preliminar nativamente.

Densidade de conteúdo

Experts queriam tudo. Aprendizes se afogavam. Uma única arquitetura de informação não conseguia servir os dois sem progressive disclosure.

Sem gancho recorrente

A razão para voltar todo dia existia astrologicamente, nos movimentos planetários, mas não estava construída na experiência do produto.

O redesign foi mobile-first desde o primeiro dia. Arquitetura progressiva que deixava Aprendizes irem fundo gradualmente enquanto dava aos Experts acesso direto às suas ferramentas. Credibilidade construída com design limpo e preciso em vez de clichês místicos. E os movimentos planetários diários finalmente viraram uma funcionalidade de produto: o gancho recorrente que os dados diziam faltar.

Lançamos por um beta fechado com os membros mais engajados da comunidade antes do rollout completo. O feedback deles moldou o produto final, e a defesa que fizeram carregou o lançamento.

Impacto

R$100KMRR mensalde R$2K em menos de um ano
4M+Downloads1M+ no primeiro ano
2xCadastros diáriosmesmo tráfego orgânico

O breakeven veio antes do redesign ser lançado, e o Astrolink se tornou a plataforma de astrologia líder no Brasil.

O crescimento teve muitos contribuidores: uma comunidade engajada, um founder que conhecia profundamente o domínio e um forte alcance orgânico. O que eu possuo diretamente: a pesquisa, a jornada de sucesso que recalibrou o modelo freemium, a arquitetura do onboarding e o design de ponta a ponta dos apps.

Pessoas

Esse projeto existiu porque havia pessoas que apareciam todo dia dispostas a fazer acontecer.

Wladimir construiu a Astrolink do zero por pura paixão — e confiou na gente para levá-la além. Rafael Parigi, Carol e Guaru levaram o produto às pessoas de formas que o design sozinho nunca conseguiria. Diego, Ícaro, Mauê, Jonas, André e Washington transformaram cada decisão em algo real e funcionando.

Obrigado.

Aprendizados

O melhor insight de onboarding não veio de otimizar o formulário. Veio de reformular o problema: não peça dados antes de mostrar valor, use o valor para justificar os dados. Reutilizei esse princípio em todos os produtos desde então.

Freemium falha em duas direções. Entregue pouco demais e ninguém começa. Entregue demais e ninguém paga. A única forma de encontrar a linha é mapear o que o sucesso significa para o usuário, etapa por etapa, e precificar a progressão.

E produtos com comunidades apaixonadas exigem um tipo diferente de cuidado: cada movimento de monetização é uma decisão de confiança. Ir gradualmente não foi lentidão, foi o que fez a mudança durar.

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